quarta-feira, 10 de abril de 2013


TEXTO PARA PROVA DO 2º ANO.

O Trabalho nas Diferentes Sociedades
Nelson Dacio Tomazi
O TRABALHO NAS SOCIEDADES TRIBAIS
A ideia de trabalho, como uma coisa separada das outras atividades, é algo que não existe nessas sociedades, isto porque as atividades vinculadas à produção nas sociedades tribais estão associadas aos ritos e mitos, ao sistema de parentesco, às festas, às artes, enfim a toda a vida social, econômica, política e religiosa. O trabalho separado das outras coisas não tem sentido, não tem valor em si.
As sociedades tribais com as mais diferentes estruturas sociais, políticas e econômicas possuíam uma organização do trabalho em geral baseado na divisão por sexo,em que os homens e mulheres executavam atividades diferentes. Os seus equipamentos e instrumentos são muitos simples e rudimentares, ainda que muito eficazes, classificando-os como sociedades de economia de subsistência e de técnica rudimentar. Essas sociedades não só tinham todas as suas necessidades matérias e sociais plenamente satisfeitas, como também dispunham de mínimo de horas diárias vinculadas à atividade de produção, sendo classificadas como "sociedades do lazer", ou as primeiras "sociedades de abundância". O fato de se dedicar menos tempo às tarefas vinculadas à produção não significa que se tenha uma vida de privações. Ao contrario, essas sociedades viviam muito bem alimentadas. É importante ressaltar que isso foi antes do contato com o "mundo civilizado".
A explicação para o fato de trabalharem muito menos que nós, está no modo como se relacionam com a natureza. Não são os homens que produzem ou caçam, pois eles simplesmente recebem aquilo que precisam da mãe "natureza". Por outro lado, há um profundo conhecimento do meio que vivem o que faz com que conheçam as plantas, os animais, a forma como crescem, reproduzem. Não se tem a ideia de que se deve produzir mais para poupar ou acumular riquezas. A sua riqueza está na vida e na forma como passam os dias.
O aspecto mais importante das comunidades tribais é o sentido de unidade existente no cotidiano dessas sociedades.

O TRABALHO NA SOCIEDADE GRECO-ROMANA
Os gregos faziam uma distinção clara entre o trabalho braçal, o trabalho manual, e atividades do cidadão que se discute e resolve os problemas da sociedade.Os gregos possuíam três concepções para a ideia de trabalho: labor, poiesis e práxis. Para
labor entendia-se o esforço físico voltado para a sobrevivência do corpo, sendo, portanto, uma atividade passiva e submissa ao ritmo da natureza. Em poiesis a ênfase recai sobre o ato de fabricar, de criar alguma coisa ou produto através do uso de algum instrumento ou mesmo das próprias mãos.  Praxis é aquela atividade que tem a palavra como seu principal instrumento, isto é, que utiliza o discurso como um meio para encontrar soluções voltadas para o bem-estar dos cidadãos. É necessário que se entenda a questão da escravidão no interior dessas sociedades. A sociedade greco-romano não era constituída somente de escravos e senhores, apenas a quarta parte da mão-de-obra era escrava, pois havia uma serie de outros trabalhadores. Mesmo assim a escravidão caracteriza essas sociedades, uma vez que todos os trabalhadores viviam, de uma forma ou de outra, oprimidos pelos senhores e proprietários. Nessas 
sociedades, o escravo era propriedade de seu senhor e, portanto, podia ser vendido, doado, trocado, alugado,não só ele, mas todos da família e todos os bens que porventura tivesse.
Para a maioria dos escravos, a finalidade precípua de suas vidas era tornarem-se livres, mesmo que isso não lhes desse a condição de cidadão, já que só o seriam se tivessem bens e propriedades. Havia uma classe de ricos e notáveis senhores que viviam de renda e eram desobrigados de qualquer atividade que não fosse à arte de discutir os assuntos da cidade e o bem-estar dos cidadãos. Por isso a escravidão era tão fundamental nessas sociedades, pois era o trabalho escravo que dava o suporte material para que os cidadãos não precisassem viver do suor de seu rosto.

O TRABALHO NA SOCIEDADE FEUDAL
O fim do Império Romano do Ocidente fez com que todo aquele imenso território, antes mantido unido por Roma e seus exércitos, se fragmentassem a tal ponto que surgissem muitas formas de organização social e política, dependendo das condições de cada região naquele momento. Mas, apesar desse fracionamento e de toda a diversidade de estruturação do sistema feudal, podem-se definir algumas características predominantes nesse sistema: a terra é o principal meio de produção, e as principais relações sociais desenvolvem-se em torno dela, uma vez que se tem uma economia fundamentalmente agrícola. Mas a terra não pertence aos produtores diretos,pertencem aos senhores feudais, devidamente hierarquizados. Os trabalhadores têm direito ao usufruto e à ocupação das terras, mas nunca à propriedade delas. Os senhores através de laços feudais, tem direito de arrecadar tributos sobre os produtos ou sobre a própria terra. Uma rede de vínculos pessoais de direitos e deveres e de honra entre os senhores, e entre estes e os servos, em que uns trabalham em regime de servidão, no qual não se goza de plena liberdade, mas, também, não se é escravo. O que há é um sistema de deveres para com o senhor e deste para com os seus servos. A sociedade feudal é uma organização social que se estrutura em estamentos, e estes tem uma relação entre si muito diversa e complexa.
Os servos além de trabalharem em suas terras, eram também obrigados a trabalhar nas terras do senhor, bem como na construção e manutenção de estradas e pontes. Essas obrigações se chamavam corveia. Havia uma serie de outras obrigações que os servos tinham para com os senhores, como um imposto que se pagava por pessoa e atingia unicamente os servos. O censo era outro imposto, mas esse era pago somente pelos homens livres. A tacha era uma taxa que se pagava sobre tudo o que se produzia na terra e atingia todas as categorias dependentes. As banalidades consistiam em outra obrigação devida ao senhor, e eram pagas pelos servos e camponeses pelo uso do moinho, do forno, dos tonéis de cerveja e pelo fato de, simplesmente, residirem na aldeia. Os senhores feudais e o clero viviam do trabalho dos outros. Algo parecido com a sociedade greco-romana, ainda que em outras condições históricas.
As associações dos trabalhadores de diferentes ofícios são traços marcantes da sociedade feudal.
Havia uma regulamentação que estabelecia o conceito de oficio, criava os mecanismos de controle da profissão e ainda determinava um grupo de conselheiros encarregados de fazer observar os estatutos da associação. Essas associações se tornaram conhecidas como corporações de ofícios. No topo da escala da corporação encontrava-se o mestre, que controlava o trabalho de todos os que faziam parte de uma determinada corporação, encarregando-se de pagar os direitos ao rei ou ao senhor feudal e de fazer respeitar todos os compromissos com a corporação. Abaixo dele vinha o oficial, que ocupava uma posição entre o mestre e o aprendiz. O aprendiz, que ficava na base dessa hierarquia, devia ter entre 12 e 15 anos e pertencer a um só mestre. Segundo a concepção feudal, com base na Igreja Cristã, o trabalho era uma verdadeira maldição e deveria existir somente na quantidade necessária à sobrevivência, não tendo nenhum valor em si mesmo.

O TRABALHO NA SOCIEDADE CAPITALISTA
Como o trabalhador se transforma em mercadoria
Trabalho se transforma em força de trabalho quando se torna uma mercadoria que pode ser comprada e vendida. E, para que ele se transforme em mercadoria, é necessário que o trabalhador seja desvinculado de seus meios de produção, ficando apenas com a sua força de trabalho pra vender.
O processo que levou à desvinculação entre o trabalhador e seus meios de produção foi longo e está relacionado com todas as transformações que permitiram a constituição do modo de produção capitalista. Vários foram os fatores que concorreram para que houvesse essas transformações. Os mais significativos foram os cercamentos das terras comunais e a expropriação dos camponeses, o que permitiu a liberação de terras para a produção de lã, bem como a expulsão de milhares de pessoas sem trabalho para cidades, ou seja, pôde-se dispor de muita matéria-prima e, ao mesmo tempo, de um exercito de pessoas que possuíam apenas a sua força de trabalho para vender. O processo resultante da conjugação de todos esses fatores passou a ser conhecido com acumulação primitiva do capital. É dessa forma que um grupo de pessoas conseguiu acumular riquezas e ter dinheiro nas mãos para aplicar em empreendimentos voltados para fabricação de mercadorias em outra escala de produção e com a finalidade de vender exclusivamente.Com isso financiaram e organizaram a produção de mercadoria através de duas formas de coordenação do processo de trabalho dos artesões: ou reunia os artesões de um determinado oficio em um mesmo local de produção ou eles podiam trabalhar dispersos por vários locais, inclusive na sua própria casa. Entretanto, quem definia o que produzir e quanto produzir era o dono do capital, que financiava tudo.
A cooperação simples é o processo no qual os trabalhadores ainda mantém a hierarquia da produção artesanal, entre o mestre e o aprendiz. Neste sistema o artesão ainda desenvolve, ele próprio, todo o processo produtivo. A diferença é que agora ele está à serviço de quem lhe financia não só a matéria-prima como até mesmo alguns instrumentos de trabalho, e ainda define o local e as horas a serem trabalhadas.
A manufatura ou a cooperação avançada é a segunda forma de organizar a força de trabalho antes da forma especificadamente capitalista. Na manufatura há a dissolução inicial desses processos de trabalho baseados nos ofícios. O trabalho artesanal continua sendo a base, só que reorganizado e decomposto através da fragmentação de suas tarefas, definindo assim uma nova divisão de trabalho. Nessa cooperação no final de uma produção se tem um produto que foi produzido por vários artesãos, mas por nenhum em particular. A manufatura é o segundo passo para que surja o trabalho coletivo.

MUDANÇA NA CONCEPÇÃO DE TRABALHO
Ate então o trabalho foi sempre visto como uma verdadeira tortura, entretanto, as mudanças ocorridas nas relações sociais fizeram com que o trabalho passasse a ser visto como o criador de toda a riqueza.
A Reforma Protestante desenvolveu uma analise que alteraria o pensamento cristão sobre o trabalho. Na nova visão a profissão de cada um passa a ser vista como vocação, e a preguiça, como uma coisa perniciosa e má, que se contrapõe à ordem natural do mundo. O trabalho passa a ser encarado como uma virtude, e ao se trabalhar arduamente, pode-se chegar ao êxito na vida material, o que é expresso nas bênçãos divinas sobre os homens. O cristão protestante deve levar uma vida ascética, e costumes simples, e o que se pode poupar deve ser reinvestido no trabalho, dessa forma gerando mais oportunidade para outros trabalharem. Nessa concepção, a riqueza em si não é condenável, mas sim aquilo a que ela pode levar: o não-trabalho, o desfrute ostentatório e a preguiça que ela pode causar.

TRABALHO E CAPITAL: UMA RELAÇÃO CONFLITUOSA
A cooperação simples e a manufatura são dois momentos que precederam e que possibilitaram a emergência de um novo modo de produzir: a maquinofatura, ou seja, a produção de mercadorias por meio de maquinas reunidas num mesmo local: a fábrica. A mecanização revoluciona o modo de produzir mercadorias, não só pelo fato de incorporar as habilidades dos trabalhadores, mas também porque os subordina a maquina. A fonte de energia está fora deles. Este, agora, serve a maquina, ela o domina, dá-lhe o ritmo de trabalho. O trabalhador ao necessita ter um conhecimento especifico sobre algum oficio. Ele não precisa ter qualificação determinada.
Aparentemente,o que vemos entre o capitalista e o trabalhador é uma relação entre iguais, uma relação entre proprietário de mercadorias, que se dá mediante a compra e a venda da força de trabalho.
O trabalhador ao assinar um contrato para trabalhar numa determinada empresa,está dizendo ao seu proprietário que se dispõe a trabalhar, por exemplo, oito horas diárias, por um determinado salário. O capitalista passa a ter direito de utilizar essa força de trabalho no interior da fábrica. O que acontece é que o trabalhador, em apenas cinco ou seis horas de trabalho, produz um valor correspondente ao seu salário total, sendo o valor produzido nas horas restantes apropriado pelo capitalista. O que se produz nessas horas restantes chama-se mais-valia, que faz com que o capitalista enriqueça rapidamente.Esse processo denomina-se acumulação de capital. Para obter mais lucros, os capitalistas aumentam as horas de trabalho, gerando a mais-valia absoluta, ou, passam a utilizar equipamentos e diversas tecnologias para tornar o trabalho mais produtivo, decorrendo daí a mais-valia relativa.
Os conflitos entre os capitalistas e os operários aparecem a partir do momento em que os trabalhadores percebem que es-tão trabalhando mais e que estão cada dia mais miseráveis. Essa forma de analisar a questão do trabalho na sociedade capitalista foi desenvolvida por Karl Marx.
Existe outro pensador, Émile Durkheim, que analisa as relações de trabalho na sociedade capitalista de forma diferente. Para ele, há dois tipos de solidariedade: a mecânica e a orgânica. A solidariedade mecânica deriva da aceitação de um conjunto de crenças e de tradições comuns. O que une as pessoas não é o fato de uma depender do trabalho da outra, mas toda uma gama de sentimentos comuns.
A orgânica, ao contrario, pressupõe não a identidade, mas, a diferença entre os indivíduos nas suas crenças e ações. 

terça-feira, 9 de abril de 2013


TRABALHO DO 1º BIM/2013 - 2ª SÉRIE

ENTREGA: 24/04

TEXTOS SOBRE A ORIGEM DA PALAVRA TRABALHO

TRABALHO (DUPLAS)

1) Explique como grande parte das sociedades tribais entendia e/ou entende o trabalho.

2) Explique qual a mudança que a Reforma Protestante de Martinho Lutero provocou em relação à concepção do trabalho e ao acúmulo de bens e riquezas. Justifique sua resposta.

3) Coloque  (V) para verdadeiro e (F) para falso.

(     ) Na Grécia Antiga era considerado escravo, o indivíduo que tivesse tão pouca alma, ou seja, a pessoa que nada mais tem a oferecer que o uso de sua força e seu corpo;
(      ) O trabalho nas sociedades indígenas não estava separado das relações míticas, religiosas ou festivas;
(      ) A Igreja Católica, na Idade Média, valorizava o trabalho braçal, pois o trabalho árduo era um sinal de sacrifício corporal. Por esse motivo, todas as pessoas precisavam trabalhar muito - independente de sua classe social - para purificar suas almas;
(     ) O indígena tem no trabalho produtivo apenas uma atividade que se integra às tantas outras que fazem parte de sua vida diária. Assim, os indígenas possuem outra concepção de trabalho que se diferencia da cultura de trabalho da sociedade moderna industrializada;
(   ) Trabalhar, para o cidadão romano, era extremamente necessário, pois todos acreditavam que o trabalho dignificava o homem;
(     )  Na sociedade industrializada, a qualificação profissional é condição de possibilidade para conseguir um bom trabalho e ter uma estabilidade financeira;
(      ) Na atualidade, não existe mais exploração do trabalho. Todas as pessoas podem escolher onde querem trabalhar e ganham exatamente por aquilo que elas produzem.





QUESTÕES PARA TRABALHO (DUPLAS)

1- Por que os portugueses não obtiveram sucesso na escravização dos índios Brasileiros?

2- O Brasil recebeu um grande número de imigrantes de todas as partes do mundo.Isso ajuda a explicar a miscigenação do povo brasileiro. Por que os imigrantes escolheram vir para o Brasil?

3- Apresente algumas características que identifiquem os trabalhadores abaixo e dê exemplos:

a) Funcionário Público:

b) Trabalhador assalariado:

c) Trabalhador autônomo:

4) Haviam muitos Quilombos no Brasil. O mais importante deles foi o Quilombo dos Palmares. Explique o que são Quilombos e destaque alguns motivos que contribuíram para o seu surgimento?

segunda-feira, 25 de março de 2013

TRABALHO PARA O 1º BIMESTRE DE 2013 - 3ª SÉRIE DO EM
Leia o texto abaixo e responda as perguntas que o seguem.
Suas respostas devem ser acrescentadas aos comentários do texto, até o dia 18/04/2013.
O trabalho pode ser feito em grupo de até 5 alunos. Não esqueça, no fim das respostas de colocar o nome dos alunos do grupo.

Concepções de Estado e Poder Político
De Autoria do Professor Elias Meira

Papel do Estado no exercício de cidadania
As condições mínimas para as pessoas conseguirem uma qualidade de vida aceitável dentro dos parâmetros de cidadania vão além da manutenção da vida orgânica, dada pela satisfação das necessidades alimentares e nutricionais elementares, estando também intimamente ligadas à obtenção de renda e de educação com qualidade, pois sem esses princípios, a inserção na sociedade e no mundo do trabalho, torna-se precária.
A falta de participação política torna os indivíduos submissos a uma dimensão do destino enquanto condição que não dá para mudar, que despolitiza as relações sociais e remete a solução dos problemas a uma esfera que não é possível se vencer, sobre a qual os indivíduos perdem a capacidade de controle, situando-se fora do domínio da história. Tanto a aceitação do destino como fatalidade como o não acesso, pela falta de renda, aos bens materiais e simbólicos que a sociedade pode oferecer, são formas expressivas de manifestação da exclusão social.
Ao Estado Moderno é atribuída uma função redistributiva, pois ele deve assegurar as políticas globais e articuladas como moderadoras das desigualdades sociais e econômicas e de responder ao aumento das demandas no contexto de uma maior divisão do trabalho e expansão do mercado, na sociedade de massas. A educação é, portanto, dever do Estado e direito do cidadão, pois sendo concebida como valor social, reflete-se como instrumento da sociedade para efetivar o processo de formação e construção da cidadania.
Assim, temos no Brasil, uma política social paralela à ação estatal, por vezes contra ou independente dela, temos uma população passiva que não possui vigilância cívica e nem conquista histórica para isto; temos uma política social que diz querer acabar com a miséria, sem a participação dos miseráveis; a sociedade civil age timidamente perante um Estado prepotente e burocrático. Em suma não temos uma cidadania efetiva capaz de controlar as ações do Estado.
O Estado até pode desenvolver políticas sociais de valor popular, reformista e avançado, mas no fundo ele não trabalha para o popular, no sentido de redistribuir renda e poder, é apenas mais uma forma tecnocrática de ação, ou seja, de políticas compensatórias.
Os investimentos sociais do Estado brasileiro possuem características de exclusão, pois, as políticas sociais representam medidas compensatórias que remediam a situação da população. Os interesses econômicos prevalecem sobre os interesses sociais, não tendo, as políticas públicas, destaque na agenda governamental, configurando, assim, um crescente agravamento das condições gerais da população. Um exemplo são as políticas públicas de educação, saúde e habitação, onde as propostas criadas não mexem no cerne das questões. Os projetos sociais relacionados àquelas políticas públicas, não envolvem a construção de uma cidadania efetiva e o desenvolvimento do processo emancipatório e de autonomia do indivíduo, eles são "paliativo" e de caráter imediato.
O Estado assume uma posição hegemônica no contexto das políticas sociais, diante dos setores excluídos tornando visíveis as suas contradições, pois, o confronto entre iguais e desiguais se dá na arena pública e civil. O processo de cidadania é obstaculizado por políticas sociais assistencialistas, que planejam reduzir as desigualdades, porém, na prática elas não chegam a se efetivar.

O que é Estado e quais os tipos de Estado?
Estado é uma instituição organizada politicamente, socialmente e juridicamente, ocupando um território definido, normalmente onde a lei máxima é uma Constituição escrita, e dirigida por um governo que possui soberania reconhecida tanto interna como externamente. Um Estado soberano é sintetizado pela máxima "Um governo, um povo, um território". O Estado é responsável pela organização e pelo controle social, pois detém, segundo Max Weber, o monopólio legítimo do uso da força.

Tipos de Estado:

O Estado Ditatorial é a preponderância de um grupo armado que impõe força sobre a sociedade. Os valores do grupo nem sempre refletem os da sociedade. Os indivíduos da sociedade são levados a concordarem com as idéias dominantes. Os grupos marginalizados são perseguidos quando manifestam suas idéias contrárias ao poder dominante. Há tendência num Estado ditatorial de preservar o poder dentro do grupo, restringir liberdade, restringir as formas de pensamento dos administrados, isolacionismo em relação à influência de outros Estados e a limitar a carta magma, quando existente, num conjunto de regras que atenda apenas a elite que apóia a forma de governo.
O Estado Democrático é o pluralismo de idéias. Os grupos mais organizados da sociedade de maior dimensão levam vantagens na distribuição da estrutura de poder. São criados critérios para que os indivíduos de uma sociedade possam estar aptos a escolher administradores que melhor representem os desejos de uma sociedade. Em populações onde o grau de escolaridade é baixo, existe uma tendência dos administrados a seguir pelo carisma fisionômico dos candidatos no processo de escolha dos representantes do povo. Na democracia a força está na vontade da maioria que legitima um grupo a representar a sociedade por um espaço definido de tempo.

Modelo de Estados Modernos e de Economia Contemporânea
Estado Liberal

Significa dizer que cada um faça a sua parte e que o mercado em seu conjunto faz o seu, sem prejudicar a quem quer que seja, é como se fosse uma mão invisível atuando para que tudo se ajuste, ou se acomode de forma natural.
O Estado liberal espera que as coisas se modifiquem sem uma intervenção individual, ou de grupo, e ao mesmo tempo se ajustem de tal forma que as coisas se relacionem de forma natural, sem que o Estado tenha a sua intromissão direta no processo de produção, como também no consumo, visto que as liberdades individuais devem ser respeitadas para que tudo se acomode de forma comum e simples.
No Estado onde o governo influencia cada vez menos na economia.
Neoliberalismo
Introdução 
Podemos definir o neoliberalismo como um conjunto de idéias políticas e econômicas capitalistas que defende a não participação do Estado na economia. De acordo com esta doutrina, deve haver total liberdade de comércio, livre mercado, pois este princípio garante o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país.
Surgiu na década de 1970, através da Escola Monetarista do economista Milton Friedman, como uma solução para a crise que atingiu a economia mundial em 1973, provocada pelo aumento excessivo no preço do petróleo.
Características do Neoliberalismo, princípios básicos:
·    Mínima participação estatal nos rumos da economia de um país;
·    Pouca intervenção do governo no mercado de trabalho;
·    Política de privatização de empresas estatais;
·    Livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização;
·    Abertura da economia para a entrada de multinacionais;
·    Adoção de medidas contra o protecionismo econômico;
·    Desburocratização do Estado: leis e regras econômicas mais simplificadas para facilitar o funcionamento das atividades econômicas;
·    Diminuição do tamanho do Estado, tornando-o mais eficiente;
·    Posição contrária aos impostos e tributos excessivos;
·    Aumento da produção, como objetivo básico para atingir o desenvolvimento econômico;
·    Contra o controle de preços dos produtos e serviços por parte do Estado, ou seja, a lei da oferta e demanda é suficiente para regular os preços;
·    A base da economia deve ser formada por empresas privadas;
·    Defesa dos princípios econômicos do capitalismo.
Críticas ao neoliberalismo
Os críticos ao sistema afirmam que a economia neoliberal só beneficia as grandes potências econômicas e as empresas multinacionais. Os países pobres ou em processo de desenvolvimento (Brasil, por exemplo) sofrem com os resultados de uma política neoliberal. Nestes países, são apontadas como causados pelo neoliberalismo: desemprego, baixos salários, aumento das diferenças sociais e dependência do capital internacional.
Pontos positivos
Os defensores do neoliberalismo acreditam que este sistema é capaz de proporcionar o desenvolvimento econômico e social de um país. Defendem que o neoliberalismo deixa a economia mais competitiva, proporciona o desenvolvimento tecnológico e, através da livre concorrência, faz os preços e a inflação caírem.

Estado de Bem-Estar Social
Estado de bem-estar social é um tipo de organização política e econômica que coloca o Estado como agente da promoção (protetor e defensor) social e organizador da economia. Nesta orientação, o Estado é o agente regulamentador de toda vida e saúde social, política e econômica do país em parceria com sindicatos e empresas privadas, em níveis diferentes, de acordo com a nação em questão. Cabe ao Estado do bem-estar social garantir serviços públicos e proteção à população.
Esta forma de organização político-social, que se originou da Grande Depressão, se desenvolveu ainda mais com a ampliação do conceito de cidadania, com o fim dos governos totalitários da Europa Ocidental, nazismo, fascismo etc. com a hegemonia dos governos sociais-democratas e, secundariamente, das correntes euro-comunistas, com base na concepção de que existem direitos sociais indissociáveis à existência de qualquer cidadão.
Pelos princípios do Estado de bem-estar social, todo o indivíduo teria o direito, desde seu nascimento até sua morte, a um conjunto de bens e serviços que deveriam ter seu fornecimento garantido seja diretamente através do Estado ou indiretamente, mediante seu poder de regulamentação sobre a sociedade civil. Esses direitos incluiriam a educação em todos os níveis, a assistência médica gratuita, o auxílio ao desempregado, a garantia de uma renda mínima, recursos adicionais para a criação dos filhos etc.

Questões para Estudo Dirigido:
1)    Destaque a descubra o significado das palavras que você não conhece.
2)    Quais as conseqüências apontadas pelo autor para a ausência de participação política?
3)    Qual a função do Estado Moderno para o autor do texto?
4)    Quais os principais defeitos das ações do Estado Brasileiro para o autor do texto?
5)    Qual o conceito e os dois tipos de Estado segundo o autor do texto? Exemplifique.
6)    Quais as características no Neoliberalismo?
7)    Quais podem ser os pontos positivos e negativos do Neoliberalismo?
8)    Qual é o papel do Estado na política do Estado de Bem Estar Social (EBES)?
9)    Qual a origem do EBES?
10)    Quais os direitos do Cidadão no EBES?
Iniciando meu blog de Sociologia, resolvi responder a pergunta que não quer calar: AFINAL, PARA QUE SERVE A SOCIOLOGIA? Bem, a pergunta é relativa, assim como a resposta. É a mesma coisa que perguntar a um professor de Física, para que serve a Física; ou a um professor de Matemática, para que serve a Matemática; e assim por diante, em qualquer uma das ciências que assombram os dias e noites dos alunos pelo mundo afora. E como todos os outros professores, só tenho uma resposta satisfatória: A SOCIOLOGIA SERVE PARA FAZER O HOMEM MELHOR, E, POR TABELA, O MUNDO MELHOR.